Bruna de Souza Ferreira, a jovem vencedora; Pedro Spineti, Pte. da Associação Brasileira dos Médicos Católicos, e a Pte. da AMCP, Margarida Neto

AMCP entrega Prémio João XXI a jovem brasileira estudante de Medicina

Bruna de Souza Ferreira, estudante do 2.º ano do curso de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (Goiás, Brasil), foi a vencedora do Prémio Internacional de Bioética e Deontologia Médica João XXI 2026, com o trabalho académico «A Arquitetura da Fé: Um Mapeamento Bibliométrico Baseado em IA dos Estudos Neurológicos sobre Experiências Espirituais e Plasticidade Cerebral (2000–2025)».

 

A entrega do galardão a Bruna de Souza Ferreira, pela presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP), Margarida Neto, decorreu, como é habitual, durante o Congresso Mundial de Médicos Católicos, este ano na 27ª edição e realizado entre os dias 30 de julho e 1 de agosto, em Brasília, Brasil.

Em declarações à AMCP, Bruna de Souza Ferreira afirma que a distinção recebida "significou profundamente, em primeiro lugar, uma graça divina muito motivacional, especialmente para que eu continue investindo tempo, dedicação e amor em todos os projetos de pesquisa nos quais estou envolvida". Representa igualmente, acrescenta, "uma honra muito grande, especialmente por ser um prémio de cunho internacional".

Bruna de Souza Ferreira é a autora principal do trabalho premiado, que contou ainda com a colaboração dos estudantes Bianca de Souza Ferreira, Chrysttian Bhryan da Cunha Oliveira, Gabriela Paiva Pinheiro e Giovana Gregorio Borges da Silva, sob orientação da médica Isabella Guzmán Núñez del Prado. Os autores e a orientadora pertencem a três instituições brasileiras de ensino superior: Universidade Federal de Goiás, Centro Universitário Goyazes e Universidade Federal de Uberlândia.

"Senti uma profunda valorização de um trabalho árduo em equipa, em que tanto eu quanto meus colegas coautores fomos agraciados com essa compreensão do congresso de que muito nos esforçamos para obter um bom resultado", refere a estudante.

Bruna de Souza Ferreira explica que "o trabalho consiste em uma revisão bibliométrica principalmente de artigos científicos, mas também de documentos oficiais e outros trabalhos que investigam a ação das práticas espirituais no cérebro humano". Segundo a autora, "a maioria dos trabalhos encontrados explicitou que práticas contemplativas, meditativas e de oração estimulam áreas cerebrais vinculadas à memória, concentração, motivação e controlo emocional, ativando o bem-estar funcional do encéfalo e a saúde mental do paciente".

O estudo vai além da análise da evidência científica, pois apresenta propostas concretas para a prática clínica, inicialmente dirigidas ao contexto hospitalar, mas potencialmente aplicáveis a todos os doentes e até a pessoas saudáveis.

Bruna de Souza Ferreira considera que os resultados da investigação justificam a criação de protocolos clínicos que valorizem a dimensão espiritual dos doentes. "Diante de tamanha vantagem [das práticas contemplativas, meditativas e de oração], é imprescindível que seja criado um protocolo médico formal para institucionalizar um momento contemplativo para pacientes em condições de sofrimento acentuado, especialmente paliativos, oncológicos ou internados".

Segundo a estudante, esta proposta poderá beneficiar particularmente os doentes católicos, permitindo que "os seus médicos e enfermeiros" os incentivem "a exercer as práticas meditativas de suas crenças (a exemplo da reza do terço e da adoração ao Santíssimo". 

A autora sublinha, contudo, que os benefícios identificados não se limitam aos doentes: "essa pesquisa traz vantagens não apenas para esse grupo populacional, mas para todos os pacientes, e também pessoas saudáveis", contribuindo para um melhor estado mental e para a otimização da funcionalidade cerebrais que pretendam melhorar o seu estado mental "perante alguma circunstância indesejada, bem como potenciar a funcionalidade orgânica do cérebro, cuja química interna é favorecida pelo estímulo das práticas espirituais".

Prémio João XXI

A medalha do Prémio Internacional de Bioética e Deontologia Médica João XXI   

Instituído em 1951 pela Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP), o Prémio Internacional de Bioética e Deontologia Médica João XXI distingue trabalhos de estudo e investigação nas áreas da Bioética e da Deontologia Médica apresentados ou publicados em diferentes países.

Foi atribuído pela primeira vez em 1954, durante o VI Congresso Mundial, realizado em Dublin, sendo desde então entregue em todos os Congressos Mundiais organizados pela Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC).

A designação do galardão presta homenagem ao Papa João XXI, o único Papa português, de seu nome Pedro Hispano, médico, teólogo, matemático e professor, que ocupou a Cátedra de São Pedro entre setembro de 1276 e maio de 1277.

XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos

Da esquerda para a direita, de pé, os médicos José Diogo Ferreira Martins, secretário geral da FIAMC; Pedro Spineti, presidente da Associação Brasileira dos Médicos Católicos; Victor C Wichrowsk, presidente da Associação dos Médicos Católicos de Brasília, e Margarida Neto, presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses

 Mais de 370 médicos provenientes de 15 países participaram no XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos, realizado em Brasília, cuja edição coincidiu com o VI Congresso Brasileiro de Médicos Católicos.

Os dois encontros foram organizados pela Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), em parceria com a Associação Brasileira de Médicos Católicos, a Associação dos Médicos Católicos de Brasília e a Societas Lucae.

Relativamente à presença portuguesa, Margarida Neto, presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses, representou a AMCP no congresso internacional. A médica psiquiatra foi igualmente oradora na sessão dedicada ao tema «Ser católico e ser médico: identidade, conflitos e perseverança» e moderadora da sessão «Medicina, ética e testemunho cristão na universidade na era da Inteligência Artificial».

O médico cardiologista pediátrico português José Diogo Ferreira Martins, associado e antigo presidente da AMCP e atual secretário-geral da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), foi orador na sessão «Medicina, ética e testemunho cristão na universidade na era da Inteligência Artificial», tendo ainda participado na sessão «O médico católico na era do poder tecnológico: missão, responsabilidade e esperança».

Abel Garcia Abejas, também associado da AMCP, médico especialista em Medicina Geral e Familiar, com competência em Cuidados Paliativos, mestre em Bioética, perito em Ética Médica, docente, e coordenador do Núcleo de Estudos em Bioética da Universidade da Beira Interior, participou na sessão dedicada ao tema «Revolução Digital e Desafios Éticos».

Os participantes receberam indulgência plenária, concedida pela Penitenciaria Apostólica da Santa Sé. 

Citado pela Vatican News, durante a sua participação no Congresso Mundial, o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, D.  Renzo Pegoraro, fez uma série de reflexões sobre os rumos da medicina moderna, a centralidade da bioética e o papel indispensável da Igreja e dos profissionais católicos na construção de um sistema de saúde mais humano e justo.  D. Pegoraro recordou os ensinamentos de São João Paulo II e alertou para os perigos da chamada "cultura da morte", que estimula uma sociedade em que a dignidade humana passa a ser seletiva.  "Essa cultura encoraja uma sociedade onde todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros - um mundo dos poderosos contra os fracos", disse.

03 de agosto de 2026